segunda-feira, 17 de agosto de 2020

PF DIZ QUE PALOCCI MENTIU E NÃO TEM PROVAS CONTRA LULA

                            

Delação de Palocci sobre Lula e BTG não tem provas, diz Polícia Federal

Relatório do inquérito aberto para apurar o caso, concluído pelo delegado da Polícia Federal Marcelo Feres Daher no dia 11 deste mês e enviado ao MPF, conclui que as acusações feitas por Palocci "foram desmentidas por todas as testemunhas, declarantes e por outros colaboradores da Justiça".

O delegado afirma ainda que não há evidências nem de que o BTG comande o fundo Bintang nem de que este tenha obtido benefícios em razão de informação privilegiada. Da mesma sorte, não surgiu nenhum indício de que o BTG administrasse alguma conta tendo Lula ou o PT como beneficiários.


As informações sobre o relatório da PF que esvazia o impacto da delação de Antônio Palocci foram divulgadas pela Revista Eletrônica Consultor Jurídico (ConJur). A reportagem do Estadão também obteve cópia do documento subscrito por Marcelo Feres Daher.


A investigação envolvia o anexo 10 da delação de Palocci, na qual o ex-ministro afirmou que a partir de fevereiro de 2011, o banqueiro André Santos Esteves ‘teria passado a ser o responsável por movimentar e ocultar valores supostamente recebidos por Lula, a título de corrupção e caixa dois, em contas bancárias abertas e mantidas no Banco BTG Pactual, em nome de terceiros’. O banco foi alvo da Operação Estrela Cadente em outubro de 2019.


Palloci alegou ainda que havia suposto esquema de vazamento de informações privilegiadas sobre alterações da taxa básica de juros, a Selic, envolvendo André Esteves e o ex-ministro Guido Mantega (Fazenda/Governos Lula e Dilma). Segundo o delator, o banqueiro teria então realizado “diversas operações no mercado financeiro, obtendo lucros muito acima da média dos outros operadores financeiros.” Os lucros seriam a advindos do Fundo Bintang, administrado pelo PTG Pactual, criado em 2010.


No entanto, a PF concluiu que “não foi confirmada a hipótese inicial de existência de relação entre André Esteves e o fundo Bintang - que tinha como gestor Marcelo Lustosa -, ou mesmo de ingerência do BTG na gestão desse fundo de investimento”.