sábado, 28 de março de 2020

Daniel Azulay criador da Turma do Lambe-Lambe, morre com coronavírus

Desenhista Daniel Azulay morre com coronavírus

O desenhista, pintor e cartunista Daniel Azulay morreu nesta sexta-feira (27) no Rio de Janeiro. O artista plástico de 72 anos lutava contra uma leucemia e contraiu o coronavírus, segundo parentes e sua página oficial.

Azulay estava internado havia duas semanas no CTI da Clínica São Vicente, na Gávea, zona sul carioca.
Daniel Azulay nasceu em 30 de maio de 1947, no Rio de Janeiro. Aos 21 anos de idade, já era cartunista profissional: assinava a tira “Capitão Cipó”, no Correio da Manhã. Em 1975 lançou a Turma do Lambe-Lambe, sua maior criação.

O traço elegante remetia à chamada “linha clara” dos quadrinhistas belgas, e também revelava uma nítida influência de Walt Disney e dos desenhos animados das décadas de 1930 e 1940. Há algo de Betty Boop em figuras como a espevitada Damiana ou o palhaço Tristinho, de nome irresistível.


Damiana e seu namorado Pita talvez não escapassem à onda do politicamente correto. A aparência dos dois remete ao famigerado blackface —a prática, hoje condenada, de atores brancos se pintarem de preto para ridicularizar os negros. De qualquer forma, sempre reinou a harmonia entre a Turma do Lambe-Lambe, em que humanos convivem numa boa com uma coruja, uma vaca e uma galinha.

Os personagens foram para a TV, mas não em forma de desenho animado. Em seus programas, Daniel Azulay contava histórias com eles, ao mesmo tempo em que produzia ilustrações em tempo real. Ensinava técnicas complicadas de pintura e origami sem jamais perder a paciência com as crianças presentes no estúdio. Seu ar de professor ligeiramente amalucado desarmava os pestinhas.O trabalho gráfico de Azulay não se restringiu ao universo infantil. Em 1972, colaborou com a criação da vinheta de aberta do Jornal Nacional.

Em 1975, em plena ditadura militar, ficou em primeiro lugar em uma exposição de caricaturas na Grécia, por uma charge contra o autoritarismo. A charge só pode ser vista no Brasil dez anos depois, quando foi publicada no livro “Aos Trancos e Barrancos”, de Darcy Ribeiro.

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